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A Festa do Basquetebol, que este ano decorreu uma vez mais em Portimão, contou com a presença do nosso atleta Gonçalo Naves que culminou a sua participação, em representação da selecção de Sub-14 da AB de Setúbal, com a conquista do título de campeão inter-selecções distritais, facto que nos deixa a todos nós muito orgulhosos da sua prestação. Sendo a primeira vez que um atleta do CAB obtém este título, foi feito o convite a quem de muito perto tem acompanhado o Gonçalo no seu percurso como jogador da selecção (e não só, naturalmente) e que esteve presente durante os dias em que decorreram os jogos da Festa do Basquetebol, para nos narrar os acontecimentos que presenciou desde o primeiro dia da prova. Falamos do Sr. Fernando Naves, pai do Gonçalo, que aceitou o convite e nos enviou o seguinte texto que transcrevemos a seguir: Longe já vai o mês de Novembro de 2008, em que o Gonçalo, então ainda mini, com 11 anos foi pela primeira vez convocado para os treinos da Selecção de Sub-14 de Setúbal. Tinha na altura apenas 2 anos de basquetebol mas já demonstrava capacidades que justificavam tal chamada (tinha participado também nesse ano no Jamboree de Sub-12, nos Açores). No meio de grupo tão experiente (e mais velho), teve na altura o prazer de efectuar dois treinos, conhecer atletas de um outro nível e regressar ao seu clube com uma boa experiência vivida. No entanto, o seu espírito de fazer cada vez mais e melhor fazia transparecer alguma tristeza com a saída. Não fiquei pois surpreendido quando, nos dias seguintes me disse. “Pai, para o ano vou até ao fim!” Em Novembro de 2009, agora já iniciado de 1º ano (embora ainda com 12 anos) o Gonçalo já se encontrava mais evoluído tecnicamente e, muito importante neste caso, bastante mais forte do que há um ano atrás. Além disso o “seu” CAB fez durante 2009 uma excelente campanha, pelo que a componente moral também se encontrava num ponto muito positivo. Durante os dois últimos meses de 2009 e até final de Março de 2010 o Gonçalo foi convocado ininterruptamente para todos os treinos da selecção de Sub-14, tendo falhado apenas dois treinos por doença. Em todos os treinos o seu empenho foi total, em todos os treinos tentou corrigir os erros técnicos, inclusivamente em muitos treinos encarou de frente algumas adversidades, tão características destas campanhas. Pelo meio participou no Torneio de Natal e no Torneio de Carnaval, com desempenhos muito positivos. Era com alguma expectativa que se aguardava a convocatória final para o Campeonato de Portugal de Inter-Selecções em Portimão (Festas do Basquetebol). Finalmente saiu a convocatória, e foi sem grande surpresa, mas com muita alegria que o Gonçalo viu o seu nome inscrito nos 12 eleitos para Portimão. Estava cumprida a promessa de há um ano! Nos dias anteriores à partida para Portimão (7 de Abril) a selecção efectuou treinos quase diários, sempre no Barreiro e Seixal, pelo que podemos desde já compreender o esforço suplementar que o Gonçalo teve que fazer (bem como durante os 5 meses anteriores) face aos seus colegas de selecção, todos oriundos de clubes de localidades muito próximas do local dos treinos. Em Portimão, a história é muito curta e simples de contar. Por esta altura a equipa tinha já uma coesão muito grande. O Gonçalo, único seleccionado iniciado de 1ª época estava muito bem integrado no grupo (mais velho). Aliás, o espírito de camaradagem e de solidariedade transparecia para fora. O primeiro dia de competição foi a 8 de Abril. Foi ainda uma fase de grupos em que Setúbal integrava a série C, juntamente com Coimbra e Viana do Castelo. Apenas os dois primeiros seguiam em frente, pelo que todo o cuidado era pouco. Vencemos o primeiro jogo contra Coimbra por 40-29 bem como o segundo jogo contra Viana do Castelo por 70-38, sem grandes dificuldades. O Gonçalo tinha duas funções no seio desta equipa. A função de poste, para revezar os postes bem altos Benvindo Mendes (1,98m) e Chris Santos (1,95m), mas também a função mais liberta de extremo que lhe permitiria também entrar em jogo noutras opções tácticas do treinador. Neste primeiro dia o Gonçalo embora não tivesse tido muito tempo de jogo (cerca de 1,5 períodos por jogo) mostrou-se muito seguro, praticamente não cometendo qualquer falha. O segundo dia de competição, a 9 de Abril, foi já na arena de Portimão, recinto enorme onde se disputavam ininterruptamente quatro jogos em simultâneo. Nesta fase de grupos mais avançada Setúbal integrava um grupo muito difícil, juntamente com Lisboa e Porto. Apenas os dois primeiros passariam à fase seguinte, as meias-finais, a disputar no Sábado 10. O primeiro jogo foi com Lisboa; pode dizer-se que o jogo correu de feição a Setúbal (ainda este ano não tinha ganho a Lisboa). Não se esperaria contudo que Setúbal conseguisse um resultado tão desnivelado frente à sua grande rival, 63-25. O segundo jogo desta jornada foi bem mais disputado, com Setúbal a vencer por margem menor, 50-39. Em qualquer dos jogos o Gonçalo não foi utilizado muito tempo, 1 tempo no primeiro jogo e cerca de 1,5 tempo no segundo encontro. Não obstante o Gonçalo esteve sempre bastante seguro e sem falhas, tendo inclusivamente marcado alguns pontos (bem como na primeira jornada). Estávamos nas meias-finais! Sábado dia 10 era o dia em que Setúbal e a selecção do Algarve iriam disputar um lugar na final. O decorrer deste jogo implicou uma estratégia algo diferente, que fez com que o treinador optasse bastante mais tempo pelo Gonçalo (algo mais do que dois períodos). Com um pouco mais de tempo e com elevados níveis de concentração, o Gonçalo conseguiu neste jogo mostrar todo o seu basquetebol. Esteve muito forte nos ressaltos, tanto ofensivos como defensivos, esteve muito bem nas entradas ao cesto, bem como nos lances livres (eficácia de 100%, 6/6). Amealhou 18 pontos, tendo sido decisivo na construção do resultado favorável a Setúbal (70-31) que permitiu a Setúbal o tão desejado lugar na final de Domingo. Domingo 11, a grande final entre a forte selecção de Aveiro e Setúbal. Cedo se percebeu que o jogo iria ser muito difícil. Setúbal terminou o 1º tempo a perder por pequena margem. Aveiro tem um basquetebol com elevada técnica, mas também muito duro. Grande parte dos jogadores de Aveiro tinham muito boa compleição física e jogavam com uma agressividade pouco vista em jogos para este nível etário. O Gonçalo entrou no 2º tempo, tendo feito um jogo muito bom defensivamente (nunca descolou 1 metro do “seu homem”), bastante seguro nos ressaltos, embora com algum azar nos lançamentos ao cesto. A equipa de Setúbal recuperou no 2º tempo. No 3º e 4º tempos o nosso poste Benvindo e o base Amiel estiveram muito bem e a equipa conseguiu distanciar-se um pouco de Aveiro, tendo suado bem a camisola para manter a vantagem até final. O resultado final foi de 60-46 e Setúbal era campeão nacional de Sub-14! Os momentos de festa que se seguiram foram inesquecíveis. Jogadores, equipa técnica, dirigentes de Setúbal, pais, amigos e familiares confraternizavam este momento inesquecível. A subida ao lugar mais alto do podium para a recepção das medalhas e da taça foi outro momento ímpar para estes jovens atletas. Esta foi uma experiência impressionante para o Gonçalo. A sua alegria era imensa. Contudo, tal não teria sido possível sem todo o trabalho efectuado no seu clube do coração, o CAB de Grândola, o clube que lhe tem dado formação desde tenra idade; o clube onde estão todos os seus amigos. Tal não teria sido possível sem os ensinamentos do seu treinador de sempre, Timóteo e do treinador/amigo Carlota. Tal também não teria sido possível sem o apoio que os pais lhe dão continuamente. Mas, o mais importante para este êxito é sem dúvida a força de vontade, o gosto pela modalidade, a vontade de fazer cada vez mais e melhor, que caracteriza a personalidade desportiva do Gonçalo. Sou testemunha dos elogios que o CAB recebeu (por pessoas muito conhecedoras da modalidade) pelo trabalho que tem feito no basquetebol nos últimos tempos. Deveremos continuar neste sentido e, na minha opinião reforçar o trabalho a partir dos escalões de mini basket. Deveremos aproveitar estes bons resultados, tanto para recrutar cada vez mais jovens como para obter melhores condições de treino. Esperemos que assim o CAB se torne cada vez mais forte e possa contribuir cada vez com mais atletas para as selecções. Força javalis! Fernando Naves, 13 de Abril de 2010 Aproveitamos a presença do Gonçalo, em mais um dos seus treinos pela equipa de sub-16 do CAB, para o voltar a entrevistar de modo a sabermos o que sentiu e como viveu esta experiência inesquecível que foi a de ter participado na Festa do Basquetebol e obtido um título de campeão.
Nesta Festa do Basquetebol encontravam-se muitos jogadores do país inteiro. Como é que era o ambiente? Nós estávamos num hotel onde estavam quase todas as selecções. Nós, no tempo livre que tínhamos convivíamos com os jogadores das outras selecções que não conhecíamos. Eram das selecções do norte, do centro e da Madeira e fizemos ali muitas amizades com esses jogadores. O hotel onde estavam alojados era bom? Era bom. Tinha piscina e tinha tudo bué de bom. Para além do convívio, quando não jogavam, dedicavam algum tempo à preparação dos jogos? Nós à noite tínhamos uma reunião com os treinadores, onde falávamos sobre os jogos do dia seguinte, davam-nos informações sobre as equipas e como iríamos jogar. Qual foi o jogo, exceptuando o da final, que foi mais difícil? Eu acho que todos os jogos foram difíceis, mas talvez os que jogamos contra a AB de Lisboa, que acabamos por ganhar por 40 pontos de vantagem, e a AB do Algarve, na meia-final, tivessem sido os mais difíceis. Como é que foi isso de terem ganho por 40 pontos à AB de Lisboa? Pois… Nós entramos bem no jogo, defendíamos bem, metíamos todas as bolas quando atacávamos. Nós nunca tínhamos ganho a Lisboa. No torneio de Natal perdemos por 10 pontos e no do Carnaval perdemos por 5 pontos. Nós nunca tínhamos ganho. Agora em Portimão ganhamos por 40, o que significa que estivemos muito bem. Consideras então que foi um resultado muito importante em termos psicológicos? Sim, foi. Nós depois desse jogo, tivemos um jogo à tarde com a equipa da AB do Porto que também era uma selecção muito forte e conseguimos também ganhar a eles. Estávamos moralizados com o resultado do jogo anterior. Qual foi a sensação de terem jogado na Arena de Portimão? Tinha muito público a ver os jogos? Na Arena deviam estar cerca de 5000 pessoas. É espectacular estar a jogar com 5000 pessoas a ver-nos! Tu normalmente costumavas jogar entre 1 e 1,5 período por jogo, mas na meia-final contra a AB do Algarve jogastes mais tempo. Houve alguma razão para isso? Eu geralmente entro no segundo período. Joguei oito minutos e neste período de tempo marquei 8 pontos. Talvez tenha sido por isso que o treinador me pôs a jogar no 3º período. Foi nesse jogo que marcastes mais pontos? Foi (n.d.r. 18 pontos). Quando partiram para o jogo da final como é que vocês se sentiam? Bom, nós estávamos super motivados por termos chegado à final. O primeiro objectivo era passar a primeira fase, a fase de grupos. Estávamos moralizados, toda a gente dizia-nos que iam ver o jogo, desejavam-nos boa sorte, estávamos a ser super apoiados. A final decorreu como vocês esperavam? Sim. Nós sabíamos que a AB de Aveiro era uma equipa muito difícil. Aveiro o ano passado tinha ido à final que perdeu, mas já tinham uma equipa muito forte, muito rápida na sua forma de jogar. No nosso jogo, até ao intervalo estivemos a jogar taco-a-taco. No final do terceiro período ficamos a ganhar por 10 pontos. A partir daí eles já não conseguiram recuperar e nós viemos a ganhar por 14 pontos de vantagem. No torneio qual foi o jogador que te deu mais trabalho? …se calhar um jogador de Coimbra… estava sempre em cima de mim e defendeu-me muito bem. Para ti qual foi o momento mais especial do torneio? Para mim? Se calhar o da meia-final. Foram os jogos da meia-final e da final. Por razões diferentes foram os momentos que eu mais gostei. Obrigado pela entrevista e espero que tu para o ano estejas novamente em Portimão. Obrigado
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